quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Por mais que viver doa

afinal é um parir-se eternamente

vale a pena ver

que aqui dentro sente

mesmo que em silêncio

venho vendo, que ter coragem me faz bem, e não desisto, mesmo que pensem!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

é como se tivesse tido um esvaziamento de mim

o vazio sempre esteve lá, nunca enchergava-o
apenas sentia-o

e numa noite
triste, como todas
só, escuridão

vi a dor, que sentia
e sinto

por me sentir
incapaz.

sábado, 25 de junho de 2011

pus os seus chinelos

pra parecer

que era você por aqui.

Seu lugar

veio assim
quieto
silencioso

me deu espaço
voz
carinho

veio
e
abriu
aqui no peito
um rombo

onde
vive, agora.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A voz que nunca saiu

Rafaela tinha 6 anos.
Saia de mais uma de suas aulas de natação pequeno-burguesa.
Na saída não tinha papai nem mamãe esperando. Caminharia por incansáveis, e longínquos, 5 minutos até a sua casa. Lá lhe esperava seu gato macho, Mimi. Afinal Mimi serve pra fêmea, macho... e a criatividade não se expressava nunca!

...
Quando sai da água quente da piscina, que tinha proporções gigantescas, Rafaela corre até o banheiro pra ver se chega antes de suas coleguinhas. Esse era o nome delas: Coleguinhas!
Rafaela não sabia o nome de nenhuma, tinha tanto medo delas que não conseguiu gravar uma graça sequer.

Correndo, em direção ao vestuário ela pega sua mochila e entra no boxe que continha um chuveiro quente.
Neste ato fica ofegante e é tomada de uma alegria imensa. Conseguiu chegar a tempo de não ser vista, de se manter em seu mundo, de não precisar passar a vergonha que tanto sentia com as coleguinhas, de não falar, se expor, berrar, gritar, a tão conhecida loucura silênciosa.

Todas coleguinhas se pelavam, se jogavam shampoo, brincavam. Rafaela rezava pra que toda aquela palhaçada terminasse.
Já de banho tomado, vestida, e entediada, como é até hoje, esperava o fim da festinha.
Quando todas iam embora, ela saia, cheirando a creme rinse, o rosa, e assim caminhava até sua casa. Aprisionada em uma pseudo-liberdade.

sábado, 28 de maio de 2011

você

esta noite
que você não veio...

deitei-me nas cobertas
com perfume e suor
teus
que
só
quem gosta
entende...

sábado, 16 de abril de 2011

voltas
e mais voltas

retorna em mim

o desejo

de não ser eu
de não estar em mim

desejo auto-destutivo
que não encontra saída em qualquer atitude da vida

aqui em casa as coisas estão largadas
tudo bagunçado
a janela está aberta, mas chove lá fora
e aqui dentro
cai água, torrencial, da tristeza de mim.