segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existe. (Clarice Lispector)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A morte de Ursula

Ursula estava amarrada àquela cama.
De seus olhos corriam lágrimas, de pavor, de medo.
Naquele instante a confirmação do medo.
Lucifer surgiu, com um machado, e uma risada de amor ao seu lado.

Cada machadada embaixo do seu joelho fazia com que ela urrasse de dor.
e assim ele foi naquele movimento:
uma machadada
duas machadadas
três machadadas
quatro
cinco
seis.

A dor parou um pouco, ela havia atingido um estágio de dormência completo.
Dizem que o corpo tem dessas coisas.

Quando Ursula olha para o chão, lá estava: metade de sua perna caída ao chão, havia um vermelho marrom por ela, esse vermelho marrom, era muito diferente do vermelho amor.

Seu corpo, sua semi-perna, suas entranhas, estavam tomadas daquela cor.

Ela então grita: Ahhhhhhhhh
Não adianta. Lucifer se delicia com a possibilidade de lhe arrancar mais meia perna.

uma machadada
duas machadadas
três machadadas
quatro
cinco
seis.

A dormência, por toda Ursula.

MINHAS PERNAS! MINHAS PERNAS! MINHAS PERNAS!
As lágrimas...

Lucifer cala. Fica quieto com aquele machado na mão, assume então uma cara de perplexo.

Ursula chora, não aguenta mais, a dor começa a retornar.
ela sabe que é seu fim.

Ursula então,
MORRE.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

percebendo o lascivo

que novo foi
estar ali sentada,

o cigarro aceso
o sincero...

sua presença.

- Olha você está aí, sentadinha! (sua frase, meu sorriso)

Nossa você sempre esteve ali, e eu nunca tinha visto.
Que estranho, novo.
Você falou de você, ficou um pouco vermelho, calou.
Não respondi, palavras não importavam

olho no olho
olhos sorrindo

silêncio

Coisas novas começam a nascer,
era o meu lado lascivo falando.

Discrição, sim, sim, é a minha.
Porém a negação não.

Não estou com pressa.
Vou testando novamente,
vou olhando, admirando,
uma nova beleza em minha frente,
uma nova beleza tão antiga.

Ah, meu coração dói, está dolorido! Não é hora de mexer com ele.
Olhares novamente
olhares
olhares
olhares
Surgi mais um sorriso lindo!

Me desnudo porque sou transparente.
Me desnudo porque gosto assim.
Me desnudo porque é melhor sofrer, do que me manter atônita por medo.
Me desnudo
me recrio
vivo sentimentos
não mais sonhos.

Me desnudo
não sinto mais calor nem frio
me desnudo
e fico melhor.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E diante de tanto amor
o que me resta?
assumi-lo

Não tive como:
tentei
tentei seguir
mas a razão
não funciona mais

meu sentimento tomou conta de mim
e eu assumo-o
faço isso por ti
porque sei que mereces meu amor
mereces ser amado
mas não por outra
e sim por mim.

Não que eu seja um suprassumo
nada disso
mas sim porque eu me proponho
sempre
a seguir
e tenho tanto amor
que te colocaria cheio dele
porque você
é um homem
que tem que ganhar muito
mas realmente muito!

E eu estou aqui
com tudo isso.

Tenho pressa?
Sim, por favor pra ontem!

Mas, também respeito o tempo.
então
que seja quando der.
Mas, que seja!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Neste dia não entreguei toda a minha existência ao teu existir
mesmo que minhas memórias relutem
insistam em querer brincar comigo
hoje eu segui.

Por horas parei,
quase chorei,
diante do sol, fui nascendo e morrendo
o presente vivo
um futuro morto.

Não vive todo meu dia em ti
nem por ti
mas quis sim
te esquecer
por não te esquecer.

Quiz te matar aqui dentro de mim.

Vã tentativa.
o vivido não se apaga.

O futuro?
Sim!

Affonso Romano de Sant'anna

ALÉM DO ENTEDIMENTO

A essa altura
há coisas
que (ainda)
não entendo.

Por exemplo:
o amor. Faz tempo
que diante dele
me desoriento.

O amor é intespetivo
eu sou lento.
Quando ele sopra
- estatelado -
mais pareço
um cata-vento.




ASSOMBROS

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

domingo, 5 de dezembro de 2010

(o não parto de mim) (parto de mim sem nascer)
Hoje nenhuma palavra me concentra, nem contos, nem poesias, nem rabiscos.
Guardei minha melancolia desde cedo,
Já pela manhã esperei o ônibus e não havia nada de poético em minha visão
Hoje eu não li os jornais,
Notícias não me interessam.
Hoje eu não falei com amigos.
Pensei em alguns inimigos;
hoje eu vesti aquele velho trapo que me faz lembrar de você
como se a tortura fosse uma forma de vida que eu estava necessitando
vi diversas crianças, porém a minha aqui de dentro permaneceu dormindo
vi alguns beijos e minha boca não encontrou nada
apenas o paladar foi degustando o doce das guloseimas que tentaram substituir qualquer vida não vivida,
qualquer ato atado
morto
Tá certo, eu fumei cigarros,
mas isto não passou de um ato masoquista de minha personalidade autodestrutiva
Hoje não bebi a taça de vinho
Não encontrei transas postiças
Fiz isso tudo porque quis
Eu quis sofrer,
quis atiçar meu paladar com o mesmo de sempre
e quis repetir o dia que tanto conheço
mas isso foram minhas escolhas
acordei decidia a viver um dia morto.

Palhaço em preto e branco

Véspera de feriado, o bar cheio, a sinuca rolando.
Alguns cumprimentos ou seriam comprimentos? De missão comprida?
O cenário estava montado,
todos os atores do palco buscavam o mesmo final
me encontrei em meio a holofotes, diante do subto desejo de usar ou seria ser usada?
Essa peça eu encenei diversas vezes,
O texto mais que decorado ja sai sem pensar.
Saí do palco preto e branco
pensei muito no branco, no poder que ele ainda tem sobre mim.
Não quis ser palhaça do circo sem cor
não quis me escurecer por algo branco que vem a meu encontro, ou eu vou ao seu encontro?
A ordem não interessa.
Apesar de resistir por um bom tempo,
resolvi destruir tudo que tinha em cima do palco
Deixei os figurantes em seu local e escolhi que eles não completariam mais minha cena
Voltei pra casa sem encenar só por hoje.
Fui sincera comigo.
Admiti com bastante dor que sou impotente,
impotente perante o branco no preto, ou seria no prato?
Impotente perante à atriz que me transformo
Só tenho poder se eu negar o branco
Assim me apodero de mim
reluto, me debato e no fim vejo que vale a pena
Só por hoje eu não usei
só por hoje eu escolhi manter as cores da minha vida
só por hoje eu adimiti que está na hora de buscar amores sem estar alterada quimicamente
só por hoje revi que sou carente e que a droga nunca tapou meu buraco
só por hoje não encenei e nem quero encenar
só por hoje eu tenho fé e permaneço a tentar sem as covardias que a droga me trás.
Andei observando os teus olhares
Preocupado com o que os outros vão pensar
Todas as perspectivas que trazes são dos outros
Se te submetes a isso eu não me submeto
Por isso abdico desse amor
Já fui por muito tempo presa aos olhares alheios
Hoje acredito nos meus olhares
Não consigo te amar!
Teu toque limitado me angustia
Preciso de mais.
Eu quero um tango verdadeiro
Eu quero música na cabeça, ela não precisa estar presente.
Alvorada bateu em minha janela
Eram 4 da tarde quando vi que a vida nascia
Hoje vi a vida, bem de perto
Vivi a vida até quando estava no bonde, lotado, o vento na face, o beijo do céu
Hoje encontrei uma foto sua
Lembrei do teu número
e liguei, justamente porque o que está ao nosso lado, agente não encherga
Hoje renasci, perdoei meus erros, rumei pro presente.
Revi papeis, criei um novo espaço aqui dentro
ouvi atenta as partilhas, me deprimi e no fim dei risada.
Hoje aceitei que não morri e que agora a escolha é viver.
Agarrei isso bem forte, sorri, sorri, sorri.
Não esperei mais. Degustei
- É boa esta bebida?
- Tem um pouco de gosto de remédio.
- hum, isso tu tá acostumada.
- é

Quantos remédios prescritos serão necessários para deixar um homem dentro da normalidade desejada?
Quantos remédios me darão e me ameaçarão de insanidade caso faltar?
Qual o problema dos não sãos?
Não quero e nem pretendo matar alguém.
Me dopam e eu não tenho falado nada.
Agora me apoderarei de mim, direi: não sou doente, por mais que todos tentem,
ganho classificações no CID-10, DSM-IV e assim por diante.
Mas tudo que quero é gozar a vida, viver na minha intensidade, mesmo que ela seja diferente dos demais.
Uns gritarão LOUCA, outros dirão anormal. Não tem problemas, cresci assim e sei muito bem o que é ser taxada em um mundo caretinha onde terno e gravata é que é ser normal.
Por isso, embora tenha ligado ha muito para tais rótulos, assino aqui, hoje, a demissão da preocupação.
Me chamem do que quiserem, eu sei o que sou, e se isto é ser louco socialmente eu só tenho as lhes dizer, ser louco é a melhor coisa que há e eu não trocaria isso por nenhum dia normótico gabinetosferizada em qualquer canto burocrático deste mundo.
Eu vi
hoje vi
uma flor
uma rosa
jogada ao chão

ela veio no seu carro
abriu a janela
e colocou a rosa fora

aquela rosa
cheia de espinhos
mas com um vermelho lindo
amor
inconfundível.

é assim
assim que me sinto

uma rosa
envolta de um papel
um plático
de lá eu via o mundo
amavá-o
mas estava presa
presa e cada dia mais sufocada

um lástima
tanto amor
e tanta solidão

duas
duas
duas

e essa história
de ser eu
ainda vai me dar trabalho

pelo menos
sou Eu
Canta que é no canto que eu vou chegar...
canta teu encanto que eu vou chegar.
...
que explique a minha paz!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Agora mudei a rota: na verdade a vida mudou por mim e eu resolvi segui-lá.
Não quero mais brigar com a vida.
Sempre quis mesmo ir pra pasárgada, mas o tempo que estive lá foi ilusão.
Então fico aqui, me acostumando com a vida real, com momentos reais, sentimentos reais. Tudo na maior ânsia de existir, e tem horas que mergulho em um mar revolto, e quando saio dele respiro como um bebê respira quando nasce. Minhas primeiras respirações.
Talvéz eu seja assim, porque pra mim não há a primeira, e sim primeiras. Porque eu deixo sempre a vida me surpreender.
Ingenuidade?
Não, escolha de vida!
Já vivi muitas coisas pra ser ingênua, e foram justamente todas essas coisas que me permitem hoje ver a vida como algo sempre novo, nascendo, brotando.
Essas vivências me fizeram assumir uma postura ingênua, mesmo que eu sofra mais eu também me alegro muito mais, me permito mais. E sem está poesia que é viver, eu não saberia encarar a vida de outra forma.
Estou sempre me reformulando, me sinto guerreira de mim. Agora em novo momento, tenho que passar a aprender a reformular o outro dentro de mim, pra que as coisas durem de verdade. Pra que meus amores sejam duradouros e não apenas mais um que passe em minha vida, mesmo que significante.
Quero alguém que queira estar acontecendo comigo e que veja que a vida é sempre este reinventar e que está é uma arte a ser aprendida, dói mas dói mais não tentar.
Então eu vou tentar, talvez seja um tanto jovial, mas meu espírito é assim, e eu vou sempre tentar, sou o tipo de pessoa que não desiste.
Já passei por tanta coisa que sei que tento, e não me permito outra postura que não seja a de viver.
Claro que as vezes canso, mas viver é também cansar. E quando canso eu paro, descanso e sigo no meu reinventar.
É preciso criatividade, disposição e não esperar que o mundo lhe dará tudo de mão beijada. Então aí vem a atitude, e perder o medo de se machucar.
Na verdade o medo nunca se perde, nunca, mas é preciso enfrentar. Continuar vivendo.
Em que tudo isso vai dar? Não sei. Minha vida não tem resposta como as de ninguém tem. Só sei que este é o meu jeito de existir e por enquanto vale a pena tentar.

sábado, 27 de novembro de 2010

As pessoas mais felizes não
têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das
oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para
aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam
e tentam sempre.


Mais uma de Clarice!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Jack, sempre foi o meu preferido,
apesar do calor
este destilado, seria hoje a minha melhor companhia, seriam os goles de coragem que eu tentando fazer com que minha vida andasse, mas ela, continuaria parada.
Uma tristeza profunda, por tantos erros, sempre errando, desde pequenina, sempre sendo o caos na família,
sempre só, apesar de todos.
Podem passar mil homens, posso amar cada um em suas peculiaridades,
mas um amor igual aquele,
destilados meus prediletos
hoje me mantenho longe deles, bem longe, até porque assim eu armo a cena,
eu fico louca,
faço juras de um amor que nem em mim existe,
rôo unhas e mando ver.
Me acabo, e destruo um início de vida que vem surgindo.

Deu, deu de lamentações...

Havia esquecido que tenho construindo minha vida, aos poucos
bem aos poucos, mas a dor tá aqui.
Mas tenho que aprender, não posso abafá-la agora, não posso negá-la.
é vivê-la e ponto, como tenho feito com tudo.
viver e ponto!
Tem um silêncio grande, mas tão grande que meu eu retumba.
ele grita aqui dentro, e eu me aliei ao tempo.
Não adianta ter pressa, nem esperar demais, nem sei mais o que adianta.
dúvidas, passam, repassam...
vou seguindo assim
certezas, não me servem mais.
Estou fora da zona de conforto, mas vou aguentando.
e esse silêncio até que está gostoso.
Voltaram os livros, muitas leituras, para tentar acomodar as coisas.
o mar está se acalmando, a ventania já parou.
o marasmo, ó marasmo que me prepara pra vida.
e vou vivendo, me reorganizando, com a certeza que organização total, nunca terei.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.

Clarice Lispector


sábado, 20 de novembro de 2010

sou filha da moral e dos bons costumes,
neta do imoral e do costume que sair na hora;

moral da história:

meus avós me estragaram!
e tudo que posso fazer é gritar, mesmo que seja em silêncio

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

12 horas já foram suficientes para eu repudiar a cama de solteiro, não jogar tua escova de dentes fora, guardar suas meias e suas cuecas e pensar, pensar, pensar. Esperar pra que a cena seja agora regida por você, porque se eu não for coadjuvante neste momento, pego as rédeas novamente e volta a comandar tudo novamente.

E você? Saberá agir? Agira?

Ahhhhhhhhhhhh

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Desfiz a cama de casal, com uma puta saudade da minha de solteira.

Como estou ao certo? Ainda não sei, não sei se um dia saberei. Apenas sei que fiz minhas escolhas e fazer escolhas implica em o outro aceitar ou simplesmente ir embora, cheio de razão mas com um rabo imaginário entre as pernas.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

E aquele corpo, só se sente realmente vivo quando em crise!
Por que será?
Será que é tão anestesiado à vida que só a mais forte das angústias lhe dá sentimento de vida?

Não sei, realmente não sei.
Só sei que entendo, porque já senti.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Foi tão bom ver teus olhos brilhando a minha volta...
Todo vez que te olho, os meus também brilham,
porque eu descubro alguém, completamente diferente daquilo que meus preconceitos criaram.
Por horas eu me abaixo, cedo, e dói, mas no fim a dor vira amor novamente e esses movimentos não tem me incomodado tanto mais.
É tão bom ver teu lábio inferior maior que o superior.
Sentir tua respiração.
O teu abraço.
Conversar por horas e horas e horas.
O teu sorriso cada dia mais me encanta.
E eu estou assim,
bem assim
encantada.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Talvez eu seja mais independente do que o esperado,
talvez eu não queira ter filhos agora,
talvez eu trate meus homens como homens
e não como filhos
eu destruo expectativas
me classificam
principalmente quando se tem uma literatura vasta a favor...
talvez tantas coisas...
mas uma certeza,
por mais classificada
por mais que me bitolem
me rotulem
existe algo aqui
bem dentro de mim
que é livre
e não será a voz do outro
a classificação alheia
que me aprisionará

já criei asas a tempo...

e o outro não tem
a muito
esse poder.

eu não sou mãe, avó, tia, sou mulher
e é isso que quero ser e sou.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Hoje

Hoje eu quero ficar com a televisão desligada
Quero ouvir meu som predileto no máximo
quero arrumar a casa até onde me dá vontade
quero comer só quando tenho fome
quero sorrir na hora que estou afim
quero gritar sem explicar porque
hoje não vou ceder
hoje quero meu espaço
quero minha casa
meus livros
tudo
isso
pra mim.

O grito

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Ursula sentada em uma peça, iluminada, enlouquecedora, toda branca...
grita
grita
grita
grita por ter sufocado tanto tempo a vontade de gritar
berra
esperneia
igual criança
...
Ursula grita pra não acabar esticando no prato
pra evitar uma dose
pra não meter um tiro, bem nos miólos, porque isso é tudo o que queria hoje,
deixar de existir, só por alguns momentos
brincar com vida
como se perder ela não fosse importar.

cansada de pessoas
de falas
deseja um mundo só de gestos
somente onde exista carinho
mão
toque
corpo
sem
por favor
sem fala!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Assim

E daí foi assim...

depois de ter descido aquela escada, escura, surgiram diversos baús.
dentro deles não sabia o que continha, mas observou que todos não possuiam cadeados.
estavam todos ali, prontos para serem abertos, agora só cabia ao próprio ato de abrir.

o local permanecia escuro, um cheiro de mofo, coisas guardadas a mais de 24 anos, sem nunca terem pego um pequenino raio de sol.
tudo lá, bem organizadinho mas fechado. Foi a organização que lhe foi dada e sempre foi mantida assim, nenhum ato de rebeldia pudera acontecer até então e esta ordem era seguida com devoção. Assim como os religiosos amam e obedecem seus deuses, a ordem foi mantida, idolatrada, foi sempre o sinônimo da salvação.
Mas...
no dia chuvoso, aquele dia que as gostas que caiam do céu se confundiam com as gostas que caiam de seus olhos... foi tomada a decisão. Não há porque idolatrar algo que nem se conhece, chegou a hora de abrir tudo, olhar, conhecer, e então fazer as escolhas.
O que virá?
O que surgirá?
impossível saber sem olhar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pote

Daí eu descobri que eu não sou um pote, desse tipo que você vem, larga todas as coisas e fica brincando de tirar e colocar.
Eu tenho tamanho exato, vou ir crescendo, mas o tamanho por enquanto é definido
E você
você tem transbordado esse tamanho
e justamente por eu não ser um pote, eu tenho deixado
e no fim isso não assusta a mim
e quem passa a morrer de medo é você.
O susto por eu não ser o pote. O susto por eu não tampar tudo e ganhar o rótulo. O susto por eu transbordar e mesmo assim caber mais, o medo que tu vai tendo, e assim vai me dando outra forma...
De pote me mudas pra iô-iô, me joga pra cá e pra lá, como se só tu mandasse nos movimentos.
Mas o que não sabes é que eu estou vendo tudo isso
e que em meu bolso tem uma tesoura
e a qualquer momento
e eu farei isso em silêncio, porque diferente de ti eu não aviso antes, nem depois, nem durante...
daí eu posso pegar a tesoura
e cortar a corda
e esta é uma das tantas maneiras, de mostrar que eu não sou pote, eu não sou iô-iô e sim eu sou gente
e gente que escolhe, que decide, que deseja, que gosta e também que cansa.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

a mulher e o machista

enquanto meu capital eram palavras e gestos
o teu eram perseguições e submissões...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Time

Não tenho tido tempo.
trabalho, faculdade, cuidado comigo e amor.

Mas e a escrita?
Preciso arranjar espaço para o que me deixa lúcida.
E o dia? Tem quantas horas?

...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

MORTO VIVO

A tampa pesada se desloca. No meio do asfalto de dentro daquele esgoto, nasce Carlus. Já nasceu com 30 anos. Não mamou, não chorou, não rio, nunca sentiu.
Carlus se levanta, respira fundo, seu primeiro contato com o ar, com aquilo que lhe manteria vivo ao encher seus pulmões. Carlus já nasceu andando, com total equilíbrio. Neste mundo que nasceu, sai a andar, pela rua asfaltada, tudo preto. Ao caminhar sente algo que vai e volta e às vezes bate em sua barriga, e nas costas.
Vai, volta, barriga, costas. Vai e volta, barriga, costas. Quando olha, pergunta: O que é isso?
Isso se chama braços. Uma voz lhe disse.
Os braços mortos de Carlus. Ele não conseguia ter domínio sobre aqueles molengas, vai e volta, barriga, costas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E de repente vem aquela vontade de rasgar a bandeira, de chutar o balde
mandar tudo longe
e me entregar

mas

eu ainda estou aqui

sábado, 21 de agosto de 2010

Tá faltando
poesia
literatura
sentimentos
vida
...
tá faltando
música
canções
silêncio
...
tá faltando
o mudo
...
tá sobrando
o surdo
o chato
o ego
...
tá sobrando
tudo
e EU

Caretisse da loucura

O mais doido da doidera é que ela é estremamente careta
é algo previsível
enfadonho
completamente igual a sempre
isso se torna doido, porque a doidera é chata
e só sendo mesmo doido
pra querer estar junto dela
e ainda botar tudo a perder.

...

seguindo em frente
na verdadeira lucidez que é viver
de cara.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

- Afinal o que agente vive?
- Tem que dar um nome?
- Não sei, é o que se faz.
- Hum.

Silêncio

- É o que se faz, não o que eu faço.

Silêncio

Muitas horas depois: estou apaixonado por você, não consigo entender.
- Eu consigo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ma, cresceu dançando, todas as manhãs, Zê lhe coloca música e ela dançava pela sala.
Lembra como se fosse hoje, dançando "maluco beleza" porque Zê era fã de Raul e desde então, a loucura passou a ser apreciada por Ma, sempre com muito carinho, respeito, admiração e amor.
Além disso, tinham as comidas que a Zê fazia: feijão preto, abóbora doce e suco de laranja com cenoura. Tinha o pão e a torta de legumes, bem colorida.
Tinha a louça que a Zê lavava, que sempre ficava sabão escorrendo.

-Zê, o copo tá com sabão escorrendo!
- É melhor o sabão escorrer do que estar sujo, sabão nunca matou ninguém. Não reclama não, porque tu nunca vai achar alguém igual a mim.

VERDADE SEJA DITA
Nunca mais alguém igual a Zê apareceu, porque a Zê é definitivamente única.

....

- Ma, e o teu filme, estás assistindo?
- Não Zê.
- Por que tu não assiste mais o filme?
- Porque os dinossauros morrem no final, e eu fico muito triste.

Zê enche os olhos de lágrimas, sabe bem o que é isso.

Independente da idade, Ma e Zê se entendiam como nunca. Zê entendia a alma levada de Ma e Ma compreendia a alma hiper levada de Zê.

- Zê, porque teu dente da frente é torto?
- Porque o teu também é!
- Ah, bom!
- Zê, porque o meu dente da frente é torto?
- Porque tu puxou a mim.
- Ah, bom.
- Zê eu quero ter cabelo preto igual ao teu.
- Quando tu crescer tu pinta.
- Mas eu queria ter agora.
- Eu sei como fazer Ma.
- Aé?! Como?
- Papel crepom preto, vai ficar igual ao meu.
- Ai Zê tu faz em mim?
- Sim, vou pedir pra tua mãe comprar o crepom.

Ma abraça Zê.

- Zê quando eu vou pra tua casa?
- Ué quando tu quiser.
- Eu quero ir hoje.
- Tá bem, eu te levo.
- Por que tu quer ir lá em casa?
- Eu gosto da escada! A escada mais alta que eu já vi, é tão bom tá lá em cima.
- Sim eu sei como é.

...

Com 12 anos, Ma foi seqüestrada, igual a Lucia foi, do mesmo jeito. Nunca mais viu Zê, mas sempre sonhou, sempre em rever Zê.

Verdade seja dita: nunca existiu alguém igual a ela.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

E de repente um forte barulho vem lá de fora.
o cadeado foi quebrado, a porta aberta
não há mais proteção.
Lucia está assustada, afinal não se lembra quando ficou em cativeiro.
...

Um homem se aproxima: dizendo, calma, calma, vamos tirar você daqui.
Lucia permanece assustada, a muito apenas se alimentava, nada mais.
O homem chega perto, e Lucia salta sobre ele, e começa a morder sua orelha, até sanguar.
É preciso se proteger, vá que ele não seja realmente alguém que veio lhe buscar.
...

Quando morde a orelha de tal homem, um fecho de luz cega seus olhos
Se torna tudo mais confuso ainda.
Apesar da dor que sente, o homem não machuca Lucia, ele compreende os diversos anos de cativeiro.
Já trabalha a muitos anos nisso, e sabe que está poderia ser uma reação de quem estava preso.
...

- Moça, moça! CALMA. Eu estou aqui pra lhe ajudar, calma.
Lucia está perdida, mas agora não está mais só.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Feminino

O que é o feminino?
Como conviver com outros femininos além do meu, sem me encher o saco de tanta futilidade?
deve ser isso
o que é eu não sei
mas feminino não é futilidade.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Justamente quando estou a sorrir, sem olhar pra baixo surge uma voz:

- Marcela! Oi?

Que bom foi te ver e saber que estas vivo, lá estava você
sentado no meio fio
sujo
rasgado
as mãos podres
a barba por fazer
e um olhar, completamente triste

Não pude evitar, me agachei e te olhei nos olhos
naqueles mesmos olhos que me disse um dia, que nunca ia desistir de mim
desistiu por um tempo de você...

O que me restou?
seguir meu impulso.
Te abracei fortemente, mas muito forte mesmo
como se naquele abraço eu pudesse te passar toda a minha vida
quis te dar parte da minha vida naquele momento

só pude dizer: que bom que você voltou.

- Não estou bem!

(Você não precisava me dizer isso, desde aquele dia, que passaste correndo e nem paraste eu já sabia, já sabia de tudo sem nem escutar uma linha do que estavas passando... Justamente porque já passei por isso)

Te abracei mais uma vez, coloquei teu nome no diminutivo por instinto de proteção
mas
não posso cuidar de você
quem tem que fazer isso por você é você mesmo

que bom que voltaste
continue voltando
e antes de não desistir de mim
apenas não desista de você.

Não pude me despedir
saiste de cena
com as as algemas fictícias
mas fique com meu abraço
e a compreensão de que só quem sofre desta doença sabe.

"Ei garoto,
por onde anda teu olhar?
por onde anda a tua vida?
por quantas ruas andas e não encontras o caminho?

Garoto
já passei por isso.

Ei garoto,
não seja dono de si
mas também não se submeta a outrem
encontre o seu ponto
o seu equilíbrio.

Sabe garoto...
já colocaste muitas coisas pra dentro desse corpo
agora vai
vai com tudo

Garoto
não espere nada do mundo
aprecie apenas o que ele já tem
seja livre
e por favor
não desista nunca."

aprender

Desvendo cada parte do teu corpo
não fui perita em todo ele
ainda
mas tudo que passou por minha perícia
não foi para passar por aprovação ou reprovação
foi apenas
pra aprender a te amar

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sinais de fumaça

Hoje a tua ausência esteve tão presente
e na falta de uma fogueira
pra sinais de fumaça
fumei um cigarro
pra ver se a mesma aí chegava

hoje tua ausência tá tão forte em minha realidade
que sinto saudade
saudade do teu olhar que brilha
do teu sorriso de criança
saudade de quando me abraças e eu sinto suas mãos sobre mim

sinto saudade desse moleque aí de dentro
da tua insegurança
segura
estou com tanta saudade
do teu silêncio, das tuas perguntas não feitas
da tua facilidade em falar o que pensa

estou com saudade da tua fragilidade
e da tua força
estou com saudade
é!
é
saudade.

sábado, 24 de julho de 2010

um ano

ontem fiz um ano!
nove meses de gestação e três meses de vida.

E nossa como eu tenho aprontado nesses três meses, rsrs.

Teu sorriso não sai da minha memória. Teu cheiro está em mim, e ter seu pescoço como morada foi maravilhoso.
E hoje, já estou com saudade benzinho!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sabotagem

Sabotagem: s.f. ato ou efeito de sabotar; danificação criminosa.

Sabotar: v.t. Danificar criminosamente; danificar de propósito; dificultar ou impedir por meio de resistência passiva; prejudicar.

auto-sabotadora!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O três mal amados



O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto
hoje eu admiti benzinho
não só pra ti
mas pro mundo
tô gamada!
tô com saudade!

vem logo pra cá!

domingo, 18 de julho de 2010

Sobre Exús e Pombas Giras

No terreiro tem festa
tem festa hoje por lá
vai ter exú
e pomba gira
e todos vão se identificar
porque no terreiro é assim
metade é bom, metade é vício
mas tá tudo em casa
porque com a vida é que há compromisso

hoje eu vi a cigana
rodopiou
dançou
se perfumou

também vi o capa preta, bebeu
não caiu
sorriu
e se preocupou com a festa
com as honras da casa.

em terreiro bom é assim
se vai com o coração apertado
sai aliviado
de bem com a vida

depois do espetáculo
é cama
e oração
pra que tudo siga bem
e não se viva em vão!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tenho sonhado com o som do Fela Kuti, mas não lembro qual a música, mas era ele eu lembro!
Tenho sonhado com coelhos que tem cara de gato e que são descobertos por mim.
tenho sonhado
sonhado demais
parei de viver
hoje
pra sonhar.
Isto está demais.

me estranho

Perdeu o celular...
as fotos escondidas...
falta da família...
relacionamento "proibido"...
janela imunológica...
mentiras...
...
...
...
o mesmo cenários de antigamente
mas com uma nova vida?!
estranheza.
A desconfiança.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Entristecer

Me entristece,
é fico triste
com estes homens que tem que levantar bandeiras
com estes homens, que não sabem ficar quietos
me entristece, ter que sugerir o silêncio para minha proteção

Vou ter que confiar no meu pedido
mas eu não confio
é triste ter que negar meu eu, pra poder ser respeitada no único lugar que me mantém viva.

Me entristece
mas tenho que me submeter a certas regras.
me entristece.


A cadeira de balanço

- Lara, por que você gosta do balanço?
- Porque eu posso voar.

Cristina ficou a pensar. As crianças eram tão simples. E Lara olhava seu balanço pela janela, o balanço estava todo molhado devido a forte chuva.
Lara admirava o balanço louca pra se entregar a ele. Neste momento o avô de Lara acaba de ler o jornal e se levanta, se levanta da cadeira de balanço.
Lara olha:

vai e vem
vai e vem

Um sorriso se abre, Lara reencontrou outro balanço.
Os pés sem encostar no chão, tocaram-lhe apenas para o primeiro impulso
vai e vem
vai e vem

o quadro da parede começa a se mexer
o teto caminha

e a partir daquele momento, Lara e seu avô possuíam um segredo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ei benzinho,

hoje eu vi que é bom te ter por perto
é bom acariciar sua cabeça
te abraçar
pegar sua mão

o resto eu já sabia que é bom

sim, devido a pós-modernidade
sou de certa forma, um pouco dela

mas hoje
eu quis o ultra-romantismo
e foi legal
aliás
maravilhoso

não estou mais acostumada a fazer poemas de amor
porque fazia tempo
que algo não batia aqui dentro
mas ó
agora vou reaprender aprendendo
e eu vou vivendo

e viva o ultra-romantismo
e que as frustrações
sejam hoje anuladas por minhas realizações!

domingo, 11 de julho de 2010

Feliz

Qual a cor da felicidade?
Felicidade não tem cor não!

Felicidade tem atitude e algo que corresponde a tua atitude!

Hoje fiz declarações de amor
Hoje eu percorri estradas
eu fui
prefiro cair de bem alto
mas subir
subir bastante
do que nem cair por medo de nunca encarar a subida

Percebi tua cara de susto
afinal, pareci louca
e realmente estou louca
louca de paixão
querendo viver isso, sem me preocupar
e não me preocupo
não me preocuparei

ai que saudade, faz uma hora que não te vejo
saudade
saudade
saudade

feliz
não negarei declarações de amor
porque sou assim
intensa
e já neguei por muito tempo devido a minha escravidão
agora não sou mais escrava
então eu declaro
a paixão
a alegria
declaro tudo
tudo tudo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Esta noite acordei pensando em você
Eram quatro da manhã e teu corpo não estava ali
aliás nunca esteve
e por que? por que? insisto em você?
Não compreendo
mas insisto

insisto em algo que sinto aqui dentro
é
é
a palpitação!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

PUTZ- algo nada poético, apenas coisas soltas que estavam me saturando

Meu quarto está escuro aqui benzinho
sei lá
fui me afastando de tudo
sabia que esse dia ia chegar

hoje lembrei dos amigos
que estão lá
em seus experimentos
estão sendo testados feito ratos

lembrei dos suicidas também

lembrei de momentos Cazuza
meus

tá tudo passando aqui na cabeça
ela tá bem cheia
os sentimentos não identifico

hoje caminhei por horas também
meu corpo em movimento
outra perspectiva
a cada dia sendo mais o meu momento

mas tem a mãe
aquela mãe aqui dentro de mim
que me segura
me impede



quarta-feira, 30 de junho de 2010

A cavalo 2

E enquanto a música tocava, Luisa viu Carlos entrar em seu mundo enquanto dirigia. Com Luisa não foi diferente, medo de encontrar Luis ela não tinha mais, pois sabia que o encontro seria inevitável.
Rapidamente os pensamentos de Luisa, montaram a cavalo e se foram a galope, em busca de Jô.

Luisa olhava de canto de olho para Carlos e lembrava quando passava dias e dias ao lado de Jô. Ambos eram vizinhos e se encontravam diariamente, mas cada um tinha seu mundo, e as visitas ao mundo de Jô eram sempre um encontro com algo bom, muito bom que Luisa não sabia explicar.
Neste momento sentia apenas a saudade do pescoço de Jô, sentia saudade de olhá-lo segurando o violão e ver suas mãos fazendo as notas musicais ao ritmo de milonga.
Jô não sabia nenhuma música, não tinha saco pra ensaiar as mesmas, todas as que ele tocava eram criações sua, ele era um verdadeiro artista.
Um amante das emoções, se entregava a elas como sempre as vivenciou com a música, era algo inesperado que acontecia no momento, e era justamente disso que ela tinha saudade. A coragem que via nele e que brotava nela de se ser quem se é e viver o que vier.
E por mais clichê que fosse, ambos tinham um lema: "que seja eterno enquanto dure".

Agora Luisa não queria lembrar porque tudo acabou com Jô, ela estava em frente a porteira que dava acesso a casa da família de Carlos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A cavalo

(Charlote agora é Luisa)

O que você vai querer? Quero um vinho tinto seco que deixo a seu critério, e nada mais.
Você não vai comer nada?
Não!
Está bem, mas não beba muito porque amanhã vamos pra fora visitar meus pais.
Está bem.

Luisa se embreagou, e dormiu.

Pela manhã a cabeça doendo, a vontade de não levantar.
Meu amor, acorda, vamos nos arrumar pra irmos.
Está bem, aquele meu vestido azul está aqui na tua casa? Não lembro se deixei ele aqui da última vez.
Sim está, vou pegar pra você.
Obrigada.

Carlos levanta, pega o vestido de Luisa, tão lindo vestido que fica mais lindo ainda em seu corpo. Carlos vai até o quarto e olha em cima de sua cama, as curvas femininas de Luisa, abre um sorriso. Com ele, ela estava segura.

Ambos se vestem. Entram no carro. Luisa pede Bach - Tocata e Fuga, Carlos odeia as músicas de Luisa, mas coloca o pedido.

Luisa está cansada, enjoada de tudo aquilo. Mas não sabe ao certo o que é aquilo. Eis então que percebe.
Carlos para o carro!
Como assim?
Para agora!
Não vou parar!
Carlos por que você está me levando lá? Por quê? Você sabe que o Luis pode estar lá. Seus pais sempre convidam a família dele para o almoço.

Não me importa, quero te levar, e quero te levar comigo.
Você quer me constranger?
Quem quis me constranger foi você!
Luisa começa a dar socos em Carlos...
Depois de mais uma briga, ambos se acalmam.
E seguem em direção a fazenda...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O site do livro que participo

O site do livro que participo:

Carlos retorna...

(f0to de Arlinda Mestre - olhares.com)

Carlos chega de viajem, e liga para Charlote (observação, Charlote é a mesma Paola mas já possui outro nome).

- Charlote quero falar com você agora.
- Sim, mas por quê esta voz? O que houve?
- Tu ainda tem coragem de me perguntar o que houve? Onde tu estas? Estas em casa?
- Sim estou em casa, por quê a fúria? Me explica!
- Estou indo aí agora!

Charlote senta-se em seu sofá e chora, o amor de sua vida com certeza havia descoberto. Lastima o moralismo que reina sobre ele, lastima, lastima, lastima.
Esse momento faz Charlote reviver coisas que se passaram por toda a sua vida, desde a infância. Sempre soube que era diferente, ou de repente, humana e foi polida, moldada, esquartejada, quebrada, desmontada, pra corresponder à menina boa que não saia das regras. Porém, algo permaneceu sempre muito vivo nela e ela sabia de seu potencial em se unir novamente a si, se refazer, se organizar e ser ela.

Carlos bate na porta, Charlote abre.

Carlos segura Charlote pelos braços, com muita força, ele está furioso. O que foi que você fez hein?
Carlos você está me machucando. Por favor me solta, eu vou gritar mais alto se você não me soltar, eu faço um escândalo, eu berro pro porteiro!

Carlos solta-a, dirige-se pro sofá, senta-se e começa a chorar.
Charlote abraça Carlos contra seus seios, mas a vontade de chorar ela não sente mais. Está preocupada com Carlos, parte de seu mundo havia sido "desplanificado", suas verdades foram colocadas a prova, a mulher que ele amava, havia traido-o mas ele não conseguia deixar de amá-la.
As lágrimas encostam a blusa de Charlote e ela se abaixa um pouco e começa a beijar Carlos, lágrimas começam a correr de seus olhos, porque ela compreendia toda a dor que ele estava sentindo. Charlote tira as calças de Carlos e ele rasga sua blusa, sobe sua saia...

Acabam ali, naquele sofá, suados, abraçados e chorando.





terça-feira, 22 de junho de 2010

comportamentos padronizados que fingem ser diferentes

Muitas intelectuais são copiadores de teorias e repetem as mesmas com veemência permitindo que tais determinem suas vidas, já os inteligentes relativizam tudo e tomam suas decisões sabendo que não há verdade e que suas vidas nunca serão determinadas por nada!

Cansada de teóricos enfadonhos que não sabem o que é experienciar. e é por isso que sinto saudade do...

Preciso e quero fazer um conto sobre isso...

tempo para pensar...


sexta-feira, 18 de junho de 2010

A três



Personagens:

Paola: Cresceu com o exemplo de mulher fiel em sua casa, sempre lutou pra gostar só de um, quando estava com um ficava cega para os outros. Intelectualmente sábia, porém possui muita preguiça de pensar. Sentimentalmente inteligente porém este ainda é um campo em descoberta.

Carlos: Não se sabe ao certo como crescer, cresceu por natureza mesmo, sorte do destino. Mora com pai e mãe mas nem tem mais idade pra isso, mesmo assim só sai de casa quando encontrar a mulher fiel. Namora Paola e implora-a fidelidade. Intelectualmente ignorante, sentimentalmente inteligente e possui vasta conhecimento sobre os sentimentos.

Luis: Boa educação, família grande, teve sempre muito amor mas nunca soube lidar bem com isso. Investiu no intelecto, o campo dos sentimentos é algo absolutamente novo. Aparenta pouca criatividade mas não se julga pelas aparências!

...

é domingo, domingo é sempre triste, melancólico. Paola acorda e parte para as suas arrumações diurna de um digno domingo só, lavar a roupa suja da semana, limpar banheiro, lavar a louça...
Antes disso uma lida na caixa de e-mails: PAOLA, ESTOU COM MUITA SAUDADE, AMEI SUAS PALAVRAS DE AMOR E TODO O SEU SENTIMENTALISMO. ÉS UM ANJO EM MINHA VIDA, NÃO VEJO A HORA DE VOLTAR DE VIAJEM E TE VER, SENTIR TEU CHEIRO, TEU CARINHO, MUITA, MUITA SAUDADE... TE CUIDA E NÃO ESQUECE QUE PENSO EM TI A TODO O MOMENTO! bjs Carlos

- AH, que lindo, que querido, que saudade! Essa viajem não acaba nunca, mas está cada dia mais próxima do fim.

o telefone toca...

- Oi Paola, tudo bem?
- Oi Luis como estas?
- Estou bem, e sabes muito bem porque estou te ligando né?!

(o coração tocou, não pode! não pode! foi criada como santa, tem que ser anjo, a princesa do castelo, fiel, muito fiel... CALOR?! TESÃO! por outro homem que não o Carlos?! não pode não, justo agora que fizeste juras de amor pra ele, tu atou compromisso com ele, é namoro, namorando, tens que ser dele, propriedade dele, só dele!)

- Sei porque estas me ligando sim, mas pode repetir?
- Então: vamos almoçar juntos, e depois um mate!
- Não sei ainda.
- Tá feito o convite!
- Convite aceito! é vamos sim! onde? Tu me pega aqui, eu vou até onde?
- Já já eu passo aí!

(sua safada! tudo de novo! jura que ama e já vai te assanha pra outro, safada, safada, safada, não foi assim que tua mãe te ensinou!)

QUE SE DANE, NÃO É HORA PRA PENSAR!

QUESTIONAMENTOS QUE ESTÃO EM MIM E COLOCO NA PAOLA: só porque eu sou apaixonada por um não posso transar com outro? e se eu me apaixonar por esse também? vou me apaixonar por dois? e será que eu já iludi um? fui eu quem iludi ou ele que se iludiu? e se eu quiser os dois loucamente e mais nenhum me quiser? ele tá viajando mas vai ficar sabendo, porque ninguém sabe que tenho algo com ele, então vai parar nos ouvidos dele, e daí o que eu faço? namoro? o que é isso? é prisão? mulher não tem tesão? só amor? porque é o que parece, conforme a minha educação, é o que parece! Mas não é o que eu sinto!
Uhhhiiii adorei o jeito de homem que o Luis estava na última vez que vi ele, adoro a sua postura masculina, como será o toque, o beijo, o cheiro no pescoço???
Se Carlus descobre, me capa as tetas, me chama de vadia, acaba comigo, mas eu sou propriedade dele? assinei um papel me declarando bem dele? Como isso funciona, mesmo sem papel já agimos como se fosse assim!
ahhhhhhhhhh, deu de pensar!

o telefone toca:

- Paola estou aqui embaixo, desce aí!
- vamos onde? ( o coração de Paola está aí, não é apenas ir contra o importo por Carlos, é ir contra toda a sua cultura, todo um discurso machista!)
- Laranjal, praia, almoço e chimas e muito beijo e carinho é claro!
- o sorriso, consentido de Paola.

A tarde maravilhosa
A transa ótima
o coração a mil
adrenalina a dois
esquecimento de que o Carlos existe
muito bom
muito bom
maravilhoso
o toque na medida
o cheiro
o orgasmo
ótimo.

Chegada em casa:

E-mail

Paola, meu anjinho, não me respondeste hoje, como estás? Estas bem? É mais uma das tuas depressões? Olha tô louco de saudade, o tempo tá demorando a passar aqui, mas não vejo a hora de chegar aí e te ver. Muita, muita saudade. bjão

E agora? dá pra ficar com os dois?
a tanto tempo isso não acontecia...


(FOTOGRAFIA DE PRISCILLA - BONECA DE MEIO LUXO - OLHARES.COM)

terça-feira, 15 de junho de 2010

A vontade de escrever contos tem voltado. Ai ai que saudade de quando eu escrevia contos...
SENTE O SOM!

SENTE O SOM!

SENTE
SENTE
SENTE
SENTE

SENTE
SENTE
SENTE
SENTE...

Brecht

Não eu não quero ler Brecht, será que em todas as ligações isso não ficou claro???

Querida, leste o texto do Brecht que te falei?

Nãoooooo
e não vou ler, não tô afim!

É um clássico? Ah, é?!
Que se dane. Eu quero é ouvir Led, preciso de muita intensidade, não papos racionais sobre Brecht.

Tua intensidade? é de boca!
Tua ação? está paralizada!
Tua espontaneidade? és personagem!
Tua voz? Uma farsa!

Então não liga mais,
deixa o telefone da minha casa sem tocar.
não vou ver filmes
não vou ler livros por enquanto

quero só Led
Led
Led.

Os teus planos teatrais? Faça sair do papel e daí
daí me chama! daí pode ligar, daí liga toda hora, todo momento!
Daí, não para de ligar!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cala a boca

Na boca entra
arroz
feijão
carne
ovo
leite
na boca entra
a guela cala
Cala a boca!

Na boca entra
chocolate
bombom
leite
na boca entra
guela abaixo
Cala a boca!

Na boca
entra
massa
macarronada
carne
peixe assado
na boca entra
e cala a boca!

Na boca entra
solidão
desespero
morte
suicídio
na boca entra
Cala a boca!

Entra sapo
lagarto
lagartixa
barata
cala a boca
cria câncer
guarda tudo
emudece
e morre.
Cala a boca!

Na boca entra
o buraco
o caixão
as flores
a lápide
e a morte!

Cala a Boca!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Convite

Ei vem pra cá hoje!
quero saber como funciona a nossa dupla
mesmo sendo dupla é una
quero desvendar teu corpo
sentir cada parte tua
quero saber cada parte tua e minha que te dá prazer
quero saber como me sinto contigo
aqui
comigo
Hei! Vêm pra cá hoje!
Larga de ser assim, larga de se esconder por aí...
quero saber como nossa dupla funciona
quero saber o que nos espera a sós
Hei! Vêm, vêm...
Vamos brincar de se tocar
de descobrir nossa dupla
vamos brincar hoje
amanhã
depois de amanhã
não vamos cansar
vamos ficar buscando e gostando de viver a busca satisfatória...
Hei, hei! Vêm pra cá!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Kafka

Oi kafka tudo bem?

Vim aqui te dizer que hoje, exatamente hoje sei o que é a metamorfose...
Você acorda e vai tocar o nariz, ao invés de mãos você tem patas, PATAS!
Hoje eu me matamosfoseei sem querer, toda "roupa" tomou conta do meu ser, e eu estava ali dentro, querendo sair
gritando bem alto, sai dai! eu sou eu! porra!
me deixa ser eu, sai sai, sai do meu corpo
não me domina assim
sai seu verme nojento
quando eu olhei minha barriga eu vi
vi direitinho as partículas de um ser que não sou EU
e meu eu, ali dentro
a confusão
sou eu ou não sou?
sou ou não sou?
porra! me responde!
minha cabeça tentando entender...
o que é isso? é um corpo, uma fantasia?
cabeça pra que preciso de você?
pra mexer o teu corpo horas
mas que merda! e dá pra parar de pensar?!
sim dá! mas se teu corpo não é esse como posso parar de questionar
como ?
queres que eu me cale?
queres meu silencio?
não sei se consigo sou assim, não paro nunca
os neurônios estão sempre em conecções sinápticas

Hoje eu quis ser burra, esquecer a cabeça
não na verdade EU mesma não quis ser burra, mas a fantasia sabe
ela vem
mas ela não vem assim, devagar
é um dia quando acordo
e dai eu já estou com ela
bem que eu vi que meu nariz estava diferente!
eu percebi que a boca se mexia
que os dedos não paravam
era a crosta que me envolve
para
para
para
só um minuto
para
para
para
sai
sai
sai
sai da minha volta
meu corpo não pode ser tomado assim
não pode
doença!
que se foda a psiquiatria
psiquiatria fudida que taxa todo mundo
psique de merda
bullshit
bosta
barataaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
saiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii do meu corpooooooooooooooooooooooooo
saiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
saiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii da minha volta
me deixa ser Euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

eu choro
eu grito
eu imploro, eu quero ser euuuuuuuuuuuuuuuu
saiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
fica longe
não vem
não vem pra perto de mim
eu luto, luto, luto, luto
e esses remédios que não fazem mais efeito
aumenta a dose
aumenta
e sai!
sai porra!
me abandona
me deixa
sai merda!
grande merda
o corpo tomado por merda
a cabeça com merda
saiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Kafka me entende
Não estou pra palavras
estou pra ação
muita ação
overdose de ação
parar
escrever
ficar quieta um momento com o corpo
me dá tédio
tédio
mexe
remexe
mexe
remexe
não paro mais
ação

segunda-feira, 24 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Explosão de mundo

O mundo é redondo
fonte do big bang
e o contrário
e se o mundo explodisse?
se no fim for big bang ao invés de mundo?
todo cosmo num fluxo
fluxo que vem e vai
entra na esfera
sai da esfera
Palavras hoje não sei mais usar
busco significados
flue?
flutue
Qual a cor da explosão?
é fogo
mas a cor?
todas as cores
questionamentos?
sempre
abertura de mundo
hoje
hoje vem o big bang
de vida
mundo em explosão
indo ao big bang
uma porta foi aberta nele
com alto fluxo
muita intensidade
subjetividade
modificação
ser
existir
num mundo explodido
e nunca mais fechado
ciclos
que se perdem
e existem
se encontram em outras partes
por aí
em algum lugar do cosmos
faz caminho
pra onde vai?
não sei
Explosão: estouro; deflagração
Tristeza: Qualidade ou estado de triste; falta de alegria, consternação; aspecto revelador de mágoa ou aflição; melancolia.
Estou muito, mas muito superfícial,
Superfícialidade demais.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pornográfico

Drummond já disse: sejamos pornográficos!

Há coisa melhor que ser pornográfico?
Só realizar a pornografia, mas mesmo assim se é pornográfico!
Pela lógica então não há.

...

Os carros entram e saem do estacionamente: Pornográfico.
Os livros entram e saem das prateleiras: Pornográfico.
A tampa enrosca na garrafa: Pornográfico.
O pé no sapato
A roupa no corpo
o líquido no copo
a música no ouvido
a lazanha no forno
a comida na boca
a faca na carne
o dente na gengiva
a carta no envelope
...
Pornográfico.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Langeries

Na gaveta tem de todos os tipos
pequena
média
grande
cor de bebe
cor de adulta
de ninfeta
tem de oncinha
bolinha
listradinha
tem de amarrar
tem apertada
folgada
Na gaveta, tá tudo guardadinho
acomodado

Agora tem uma de executiva também
mas tá guardada
A cinta liga ja foi encomendada

E a gaveta tá abarrotada porque o bom mesmo é ficar sem nada!

domingo, 16 de maio de 2010

Um vazio aqui no peito
o pensamento de que umas gramas poderia me tirar isso
medo do futuro
medo de entrar na paranóia
sai de um poço escuro
muita tristeza ficou pra traz
e hoje tenho pensado
tenho tentado controlar as coisas
mas as pessoas não são controláveis
nem eu sou
não posso me entregar
porque quero ter relacionamentos verdadeiros
o medo de chegar a loucura
a loucura de cara
medo de pirar no outro
fuder tudo
estranho
como disse: sai de um poço profundo
um buraco bem grande
mas hoje ele se disfarça
acena pra mim
me chama dizendo: vem aqui só um pouquinho, tu não controla, mas o que tem de ruim na morte?
não há nada de mal morrer assim, vem
um lado meu diz: pensa em outra coisa
vai, muda o pensamento
muda
muda
muda
muda
a obsessão em mudar me faz permanecer com o pensamento
não desligar
não dormir
não descansar
então venho aqui pedir a Deus
TRANQUILIDADE
amanhã é dia de trabalho
é dia de vida e não de morte
Deus me ajuda
Deus você está comigo?
Deus?
Deus?
Deus? Cadê você?

Obrigada por ter me deixado viva
obrigada por eu ter minha família
obrigada por minha rotina
obrigada obrigada
obrigada

Ele faz cinema... ele é assim...

Quando encostei a cabeça em seu ombro, me senti tão segura e tranqüila que peguei no sono. Me senti como nunca havia me sentido antes, os cafunés na cabeça o cheiro do seu perfume, a sua atenção e o seu carinho e respeito. Alguém único que nunca imaginei ser quem é: bela surpresa.
Surpresa do que brota em mim e do que recebo.
Para eu dormir perto de alguém, é difícil e com você eu consegui naturalmente.
Que coisa boa, tranqüila, jovial, pura e excitante. Momento único, guardado aqui dentro de mim.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Na boca do estômago vem uma ânsia, uma vontade de vomitar, algo forte que me faz evitar a comida.
Realmente é ansiedade, os devaneios de estar grávida voltam. Sempre, por toda a vida, fui e sou perseguida por isso. Quando for verdade já terei mil vezes sentido o que é essa expectativa.
O nome de minha ansiedade se torna gravidez, assim é mais fácil, localizo bem em meu corpo e coloco tudo nela.
E o que fazer perante a certeza de que não se está grávida?
Como brincar então com a ilusões?
Como lidar com as expectativas?

Questões que não me vem a resposta, só viver para saber.
Então tá, esse embrulho aqui dentro, não é gravidez, é ansiedade.

Existe um abismo, algo muito profundo em terra, que faz com que eu não te veja, mas eu te sinto aqui dentro de mim e isso me causa ansiedade, quando será o encontro, como será?

Hoje parou um carro, em frente ao prédio que eu me encontrava, e eu pensei, é você! A barba por fazer, o cabelo escuro, curto, uma magreza gorda, um jeito de olhar pro lado, todo seu.
Mas não era, mais um devaneio. Mais uma vez um filho nosso que não nasceu.

Está tudo confuso em meu coração vagabundo.
Mas tenho saudade da tua viola tocando uma milonga e queria uma calma que por vezes tive ao estar perto de ti.

Também quero cama, comida e roupa lavada, mas não se preocupe você só precisa cuidar da primeira opção, o resto pode ser qualquer pessoa.

Hoje tive muita saudade. Tive inveja do teu filho que vai nascer. E queria lhe dizer: o nome que escolheste é horrível! Caetano é horrível, um lixo. Mas isso é mais uma prova de que não faço mais nenhuma parte de sua vida.

Sinto saudades mas ao mesmo tempo eu não te quero mais, loucura? Nem eu entendo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

a mil

AHhhhhhhHHHHHHHHHHHH
hoje eu grito bem alto
hoje eu berro
solto muita gargalhada
ah, gangorra da vida
depois de duas semanas de lamentações
de luto
hoje é daqueles dias
que todas as vitrines chamam a minha atenção
todas as discussões passam por minha cabeça,
algumas me conecto a maioria opino, opino certo mas não quero discussões banais
hoje é aqueles dias
que me sinto
super mulher
a tal
não me contenho em mim
um mínimo estímulo leva ao caos
caos
mas é bom estar assim também
se eu pudesse ser sempre assim
escolheria ser assim
mas meu humor varia
vai variando
depois disso a depressão
mas ai que agitação

domingo, 18 de abril de 2010

Quero

Está bem, está bem, está bem.
depois de mil racionalizações me entrego ao que sinto
sem mais receios...

eu te amo, esse amor curto, bem pequenininho, mas que brota aqui no peito.
neguei
fugi
e agora declaro
amei ficar...
sentir sua pele na minha
teu cheiro
tuas palavras, sua voz
meus cabelos enroscados em sua mão, firme

a roupa rasgada, um capítulo a parte

não pude tocar em seu corpo
e amei ser sua escrava
agora a saudade bate forte aqui dentro
e você nem sei por onde está
não lhe localizo geograficamente
mas te localizo, sentimentalmente dentro de mim

alguns vieram me falar que você estava de mãos dadas com ela
que estava complacente
eu não ligo
definitivamente eu não ligo
não me interessa seus momentos com ela
interessa os seus comigo
não quero ser sua dona
nem de mim eu sou
e compreendo muito bem as almas libertarias, apesar de saber que nem tu te compreendes e te aceita
mas a respeito disso nada posso fazer
só sei que te quero aqui
do meu lado
só por hoje
bem aqui
na minha cama
no meu quarto
dentro de minhas paredes
entre minhas pernas e dentro de mim.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Nasce uma mulher

Venho comunicar a todos os leitores de tal jornal que hoje, neste dia ensolarado, nasce uma mulher.
Seu nome é Luna Planetária Vermelha, possuí em seu ventre a capacidade de ser mãe, possui o prazer pelo novo e a capacidade da constância.
O mais emocionante é que esta mulher nasceu hoje e já veio ao mundo como uma verdadeira mulher, cheia de desejos, cheia de certezas sobre quem é o que quer.
Sim esta mulher é decidida e não deixará homem passar por seu mundo sem ser tocado. Mulher que atualmente tem o único desejo de satisfação sexual e amorosa com o sexo oposto, mas ela não procura alguém e sim ela quer A pessoa.
Num processo de pintar os olhos, pintar as unhas e pintar paredes ela se esculpiu e hoje ela sabe o seu verdadeiro valor e que venham muitos nãos porque eles são os sinônimos da tentativa e da coragem, dos diversos nãos há a certeza do sim, direto e reto.
Esta mulher não se esconde mais, está nua e crua e está na mira do homem que pode saborear esse fenômeno libidinal.
Por isso os homens mais complicados e atrapalhados e que se escondem não lhe atraem mais, porque ela possuí seus sentidos aguçadíssimos e ela sente, e está apenas preocupada com isso, com o que sente.
Outras mulheres, que foram um dia impeditivo para seus relacionamentos hoje são apenas mais umas e ela sabe que está una consigo e cheia de si.
Então meus Caros aqui está anunciado o nascimento de Luna Planetária Vermelha, a mulher!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Carta ao meu Caro

Senti a firmeza de sua mão tocando meus cabelos, de subto me antecipei e senti sua mão encostando em meus seios, acariciando minha pele e me causando tremor. Não prossegui, soltei um leve sorriso de satisfação e me despedi.
Confesso que meus desejos são sim sentir seus lábios nos meus e sentir seu corpo inteiro colado ao meu, porém meu Caro tenho nojo. Acredite, não nojo de você mas sim de mim. Minha pele esteve encostada em tantos corpos que hoje repudio e que até no ato eu repudiava, breve e intenso passado que me perturba.
Deveria aprender a viver o só por hoje para poder desfrutar de todos meus desejos libidinais mas a frieza encostou no meu ser e quebrar essa parede de gelo está complicado. Mas meu Caro, uma coisa eu lhe prometo, eu vou buscar isso, Ah eu vou. Pode demorar mas eu não canso. Ontém por um breve momento pensei em desistir mas hoje quando olhei em seus olhos lhe fiz a propósta tácita.
Na verdade lhe fiz esta propósta porque já me trabalho para aceitá-la e não tenha dúvida que quando eu conseguir meu gozo, ao seu lado é claro, eu vou comemorar.
Por mais traumas passados e por mais que meu corpo fale que não mereço, hoje não estou mais só e tenho indicadores que me ensinam a trilhar.
Meus antigos homens, pensei que me satisfaziam, hoje vejo que permaneço virgem, não do ato e sim do sentimento a dois.
Por mais que minhas palavras pareçam mórbidas e melancólicas eu te afirmo não sou assim o tempo todo, por isso eu lhe peço meu Caro sossega!
Assim como eu também falo pra mim: Marcela, sossega, o amor chega e acontece, não no teu tempo mas na hora que tem que ser.
Por enquanto eu pinto paredes pra me distrair. Pinto os olhos, as unhas. Vou me pintando e me descobrindo mas uma descoberta una não me serve mais assim como não me serve eu mesma descobrir os lençóis de mim.
Ah, meu Caro tem outra coisa, minha insegurança pequena, que transformo em monstro, faz eu querer me apoderar e fazer do outro meu escravo, então lhe peço aqui, não se torne escravo meu porque isso também me enlouquece, me ensine a igualdade que eu lhe ensinarei como funciona o um universo sensível e determinado.
Agora me despeço de você mas é só por agora, te aguardo aqui em meu templo porque aqui é seguro, mas não esquece, a parede de gelo está sendo quebrada e não tome cuidado porque eu vou parar de tomar.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O que a pele sente

Estou numa nova proposta, sempre escrevi quando minha cabeça enchia, mas agora ela não enche mais e eu quero outra coisa, quero escrever o que minha pele sente e minha cabeça entende. Uma nova proposta de pensar, algo completamente desconhecido mas me proponho a seguir em frente. Estou tentando entender o que me encosta mas ainda não compreendi. Permaneço na busca. Vamos ver no que dá.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A pele descoberta

Possuía um blog.
Destruí por necessidade de me livrar de tal eu lírico. Não para mentir a mim que o mesmo nunca tenha existido, mas sim para que quem o acessava não poder mais o acessar, além disso, eu estava repunada de tais personagens e vida tão cansativa que se traduzia em palavras.
Aviso já que não quero dizer que isto não se repita, poderá se repetir todos os dias, não sei. Só sei que não quero mais antigos acessos se vivo hoje em novos momentos e vivo sedenta por novos acessos, excessos.
Minha cabeça tem demorado a encher, porém agora o que fala não é mais ela, o que grita para todos é minha pele, ela foi recolocada aqui em meu corpo e sente, berra, ri, e fala, fala bem aqui pra eu ouvir. Tradução de sentimentos peliculares?! Talvez sim. Talvez não. A única certeza é a incerteza de estar viva, coberta por uma pele a pouco descoberta.