domingo, 5 de dezembro de 2010

(o não parto de mim) (parto de mim sem nascer)
Hoje nenhuma palavra me concentra, nem contos, nem poesias, nem rabiscos.
Guardei minha melancolia desde cedo,
Já pela manhã esperei o ônibus e não havia nada de poético em minha visão
Hoje eu não li os jornais,
Notícias não me interessam.
Hoje eu não falei com amigos.
Pensei em alguns inimigos;
hoje eu vesti aquele velho trapo que me faz lembrar de você
como se a tortura fosse uma forma de vida que eu estava necessitando
vi diversas crianças, porém a minha aqui de dentro permaneceu dormindo
vi alguns beijos e minha boca não encontrou nada
apenas o paladar foi degustando o doce das guloseimas que tentaram substituir qualquer vida não vivida,
qualquer ato atado
morto
Tá certo, eu fumei cigarros,
mas isto não passou de um ato masoquista de minha personalidade autodestrutiva
Hoje não bebi a taça de vinho
Não encontrei transas postiças
Fiz isso tudo porque quis
Eu quis sofrer,
quis atiçar meu paladar com o mesmo de sempre
e quis repetir o dia que tanto conheço
mas isso foram minhas escolhas
acordei decidia a viver um dia morto.

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